O mapeamento de riscos psicossociais é a etapa central da adequação à NR-1 revisada. Sem ele, o PGR da sua empresa está incompleto e a organização fica exposta a autuações e ações trabalhistas.
Mas como fazer esse mapeamento de forma correta, documentada e defensável? Este guia cobre a metodologia, os instrumentos disponíveis e os passos práticos para implementar o processo na sua empresa.
Base legal
A NR-1, em sua versão atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, exige que o PGR inclua a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais. A documentação deve estar disponível para inspeção a qualquer momento.
O que o mapeamento precisa contemplar
Antes de escolher o método, é preciso entender o que a norma espera que o mapeamento demonstre:
- Identificação dos fatores — quais riscos psicossociais estão presentes na organização
- Avaliação da exposição — quem está exposto, com que frequência e intensidade
- Avaliação do dano potencial — qual a gravidade dos efeitos à saúde
- Priorização — quais riscos exigem ação imediata
- Medidas de controle — o que será feito para mitigar cada risco identificado
Os grupos de trabalhadores
O primeiro passo prático é definir os Grupos Homogêneos de Exposição (GHE) — conjuntos de trabalhadores que exercem atividades similares e estão submetidos às mesmas condições psicossociais.
Exemplos de GHEs comuns:
| Grupo | Exemplos de funções |
|---|---|
| Atendimento ao cliente | Recepcionistas, SAC, vendedores internos |
| Operacional | Produção, logística, manutenção |
| Administrativo | Financeiro, RH, compras |
| Liderança | Supervisores, gerentes, coordenadores |
Dica
Quanto mais granulares os GHEs, mais preciso será o diagnóstico — mas mais complexo o processo. Para empresas menores, 3 a 5 grupos geralmente são suficientes.
Instrumentos de avaliação
A norma não obriga um instrumento específico, mas exige que o método seja científico e validado. As opções mais utilizadas no Brasil são:
1. COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire)
Versão validada para o Brasil com 40 a 76 questões. Avalia dimensões como demandas cognitivas, conflitos de papel, suporte social e satisfação no trabalho. É open source e amplamente aceito por auditores.
2. Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT)
Desenvolvido pelo Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional e validado para português. Foca na percepção do trabalhador sobre sua capacidade de continuar no trabalho. Mais simples — 7 questões — mas menos abrangente para os riscos psicossociais específicos.
3. Questionário proprietário com base na NR-1
Algumas empresas desenvolvem instrumentos internos com base nos fatores listados no Anexo I da NR-1. Desde que validados internamente e tecnicamente justificados, são aceitos.
4 em 10
empresas brasileiras ainda não iniciaram o processo de adequação à NR-1 revisada
Fonte: Pesquisa ABRH 2025
Aplicação do questionário
Canal e formato
O questionário pode ser aplicado em papel, via e-mail com link para formulário digital, ou por sistemas especializados. A recomendação é o formato digital, que facilita a tabulação e garante anonimato.
Anonimato e confidencialidade
A NR-1 não exige anonimato explicitamente, mas sua ausência reduz drasticamente a taxa de resposta honesta e pode ser usada como argumento em ações trabalhistas. Garanta — e comunique — que as respostas são confidenciais.
Taxa de resposta mínima
Não há um mínimo legal, mas a prática de mercado é buscar ao menos 70% de participação por GHE. Abaixo disso, a representatividade fica comprometida.
Atenção
Questionários aplicados sem comunicação prévia clara tendem a ter taxa de resposta baixa e respostas menos honestas. Informe os trabalhadores sobre o objetivo, o anonimato e o uso dos dados antes de aplicar.
Análise dos resultados
Após a coleta, os dados precisam ser:
- Tabulados por GHE e por fator de risco
- Comparados com benchmarks ou com a pontuação máxima do instrumento
- Classificados por nível de risco (baixo, médio, alto, muito alto)
- Documentados em relatório técnico
O relatório deve apresentar os resultados de forma que qualquer auditor do Ministério do Trabalho consiga entender quais riscos foram identificados, quem está exposto e o que será feito.
O plano de ação
Para cada risco classificado como médio ou superior, o PGR precisa incluir:
- Medida de controle — o que será feito
- Responsável — quem implementará
- Prazo — até quando
- Indicador — como será medida a eficácia
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Frequência de atualização
O mapeamento não é um processo único. A norma exige revisão:
- Anualmente, como parte da revisão do PGR
- Sempre que houver mudança significativa no processo de trabalho, na estrutura organizacional ou após incidente relacionado a saúde mental
Conclusão
O mapeamento de riscos psicossociais é um processo que exige metodologia, documentação e comprometimento organizacional. Não é possível "fingir" que foi feito — um auditor treinado perceberá a ausência de dados, inconsistências ou planos de ação genéricos.
A boa notícia é que tecnologia de IA já automatiza grande parte desse processo: da aplicação do questionário à geração do relatório técnico e do plano de ação. O que antes levava semanas de consultoria agora pode ser feito em horas.
A decisão é sua: construir internamente ou usar tecnologia adequada. Mas o prazo de maio de 2026 está chegando.
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