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NR-1 & Compliance

Como fazer o mapeamento de riscos psicossociais para o PGR

Guia prático para implementar o inventário de riscos psicossociais exigido pela NR-1. Metodologia, instrumentos e documentação passo a passo.

15 de março de 20265 min de leiturapor GênIA Resolve

O mapeamento de riscos psicossociais é a etapa central da adequação à NR-1 revisada. Sem ele, o PGR da sua empresa está incompleto e a organização fica exposta a autuações e ações trabalhistas.

Mas como fazer esse mapeamento de forma correta, documentada e defensável? Este guia cobre a metodologia, os instrumentos disponíveis e os passos práticos para implementar o processo na sua empresa.

Base legal

A NR-1, em sua versão atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, exige que o PGR inclua a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais. A documentação deve estar disponível para inspeção a qualquer momento.

O que o mapeamento precisa contemplar

Antes de escolher o método, é preciso entender o que a norma espera que o mapeamento demonstre:

  1. Identificação dos fatores — quais riscos psicossociais estão presentes na organização
  2. Avaliação da exposição — quem está exposto, com que frequência e intensidade
  3. Avaliação do dano potencial — qual a gravidade dos efeitos à saúde
  4. Priorização — quais riscos exigem ação imediata
  5. Medidas de controle — o que será feito para mitigar cada risco identificado

Os grupos de trabalhadores

O primeiro passo prático é definir os Grupos Homogêneos de Exposição (GHE) — conjuntos de trabalhadores que exercem atividades similares e estão submetidos às mesmas condições psicossociais.

Exemplos de GHEs comuns:

GrupoExemplos de funções
Atendimento ao clienteRecepcionistas, SAC, vendedores internos
OperacionalProdução, logística, manutenção
AdministrativoFinanceiro, RH, compras
LiderançaSupervisores, gerentes, coordenadores

Dica

Quanto mais granulares os GHEs, mais preciso será o diagnóstico — mas mais complexo o processo. Para empresas menores, 3 a 5 grupos geralmente são suficientes.

Instrumentos de avaliação

A norma não obriga um instrumento específico, mas exige que o método seja científico e validado. As opções mais utilizadas no Brasil são:

1. COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire)

Versão validada para o Brasil com 40 a 76 questões. Avalia dimensões como demandas cognitivas, conflitos de papel, suporte social e satisfação no trabalho. É open source e amplamente aceito por auditores.

2. Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT)

Desenvolvido pelo Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional e validado para português. Foca na percepção do trabalhador sobre sua capacidade de continuar no trabalho. Mais simples — 7 questões — mas menos abrangente para os riscos psicossociais específicos.

3. Questionário proprietário com base na NR-1

Algumas empresas desenvolvem instrumentos internos com base nos fatores listados no Anexo I da NR-1. Desde que validados internamente e tecnicamente justificados, são aceitos.

4 em 10

empresas brasileiras ainda não iniciaram o processo de adequação à NR-1 revisada

Fonte: Pesquisa ABRH 2025

Aplicação do questionário

Canal e formato

O questionário pode ser aplicado em papel, via e-mail com link para formulário digital, ou por sistemas especializados. A recomendação é o formato digital, que facilita a tabulação e garante anonimato.

Anonimato e confidencialidade

A NR-1 não exige anonimato explicitamente, mas sua ausência reduz drasticamente a taxa de resposta honesta e pode ser usada como argumento em ações trabalhistas. Garanta — e comunique — que as respostas são confidenciais.

Taxa de resposta mínima

Não há um mínimo legal, mas a prática de mercado é buscar ao menos 70% de participação por GHE. Abaixo disso, a representatividade fica comprometida.

Atenção

Questionários aplicados sem comunicação prévia clara tendem a ter taxa de resposta baixa e respostas menos honestas. Informe os trabalhadores sobre o objetivo, o anonimato e o uso dos dados antes de aplicar.

Análise dos resultados

Após a coleta, os dados precisam ser:

  1. Tabulados por GHE e por fator de risco
  2. Comparados com benchmarks ou com a pontuação máxima do instrumento
  3. Classificados por nível de risco (baixo, médio, alto, muito alto)
  4. Documentados em relatório técnico

O relatório deve apresentar os resultados de forma que qualquer auditor do Ministério do Trabalho consiga entender quais riscos foram identificados, quem está exposto e o que será feito.

O plano de ação

Para cada risco classificado como médio ou superior, o PGR precisa incluir:

  • Medida de controle — o que será feito
  • Responsável — quem implementará
  • Prazo — até quando
  • Indicador — como será medida a eficácia

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Frequência de atualização

O mapeamento não é um processo único. A norma exige revisão:

  • Anualmente, como parte da revisão do PGR
  • Sempre que houver mudança significativa no processo de trabalho, na estrutura organizacional ou após incidente relacionado a saúde mental

Conclusão

O mapeamento de riscos psicossociais é um processo que exige metodologia, documentação e comprometimento organizacional. Não é possível "fingir" que foi feito — um auditor treinado perceberá a ausência de dados, inconsistências ou planos de ação genéricos.

A boa notícia é que tecnologia de IA já automatiza grande parte desse processo: da aplicação do questionário à geração do relatório técnico e do plano de ação. O que antes levava semanas de consultoria agora pode ser feito em horas.

A decisão é sua: construir internamente ou usar tecnologia adequada. Mas o prazo de maio de 2026 está chegando.

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